Greve geral em toda Federal! Por quê?

Por Kezia, Lídia e Raylane (raylane-sso@hotmail.com)

O Brasil tem um dos sistemas educacionais mais elitizados do mundo, onde apenas UM TERÇO DOS JOVENS CONCLUI O ENSINO MÉDIO E 15% ESTÃO NA UNIVERSIDADE.

Nos últimos anos, o processo de implementação da REFORMA UNIVERSITÁRIA, tem desestruturado cada vez mais a qualidade da formação profissional das universidades públicas. O REUNI (programa de Reforma Universitária para expansão da educação superior pública) é parte de um “pacotão” do Plano de Desenvolvimento da Educação implementado pelo governo Lula em 2007 para ampliação do ensino superior. Um programa baseado em metas onde os recursos oferecidos são claramente insuficientes para a expansão de vagas exigidas pelo governo.

Com isso o número de vagas das universidades quase dobrou, mas sem um aumento proporcional do número de professores, corpo técnico-administrativo e ampliação física para atender a entrada desses novos alunos. Essa política gerou uma expansão sem qualidade precarizando o trabalho docente e a qualidade da formação profissional.

O corte de 5 bilhões de reais na Educação nos últimos dois anos e a proibição de concurso para professores efetivos para as IFES agravaram ainda mais esta realidade. Neste momento o governo busca jogar nas costas dos trabalhadores o peso da crise econômica, aplicando suas medidas neoliberais de reformas sociais, arroxo salarial e cortes nas áreas sociais para garantir o superávit primário.

Mas os Movimentos Sociais em defesa da educação pública já mostraram que não vão deixar isso barato. A greve já tem 72% das universidades com suas atividades paradas, a indignação com a precarização do ensino superior público é de 100%. Devemos aproveitar esta conjuntura de lutas para construirmos uma maior articulação dos diversos movimentos em defesa da educação púbica, para tirarmos um calendário de lutas em comum em defesa da Educação Pública.

Mapa da greve

A Greve na UFF!!

Na Assembleia dos professores da UFF, que ocorreu no dia 17/05, foi aprovada a GREVE NA UNIVERSIDADE tendo início no dia 22/05. A pauta da greve já foi definida, tendo dois pontos centrais: a reestruturação da carreira docente prevista no Acordo 04/2011, de valorização do piso e incorporação das gratificações; e a valorização e melhoria das condições de trabalho nos Institutos Federais de Ensino Superior – IFES.

É necessário cuidado para não confundirmos as pautas, pois o governo federal publicou a medida provisória 568 (reajuste salarial de 4%) com objetivo de confundir e desmobilizar os docentes. Esta medida atende um acordo firmado em 2011 com o sindicato dos professores. Quanto a pauta da greve o governo não deu nenhuma resposta.

Esta greve coloca em evidência o modelo de Universidade que queremos construir. Todos que defendem a Universidade pública, gratuita, de qualidade e o tripé ensino, pesquisa e extensão estão sendo chamados para construir juntos esta luta, que é de todos nós em defesa da educação.
A luta em defesa dos 10% do PIB para Educação Pública Já, deve ser incorporada nesta GREVE, no sentido de se lutar pelo maior financiamento para a educação, contribuindo para melhoria das condições de trabalho dos professores (mais recursos humanos, físico e materiais).

A importância da participação estudantil nessa GREVE é muito mais que apoio a luta dos professores, pois também precisamos lutar por melhores condições de estudos (mais professores e espaço físico). Não podemos esquecer das nossas reivindicações por assistência estudantil (bandejão, moradia, bolsas, creche), da implementação do resultado do Plebiscito dos Cursos Pagos, e aceleração das obras nos Polos/Campus do Interior.

Sofremos com falta de SALAS de aula e espaços física para outras atividades, aulas em locais impróprios salas de aulas lotadas, déficit de PROFESSORES, professores efetivos contratados como temporários, aumento da relação professor-aluno, escassez de PESQUISA E EXTENSÃO, assim como das BOLSAS ACADÊMICAS para participação da mesma, fila no BANDEJÃO e falta dele nos campus do interior, MORADIA ESTUDANTIL que não sai da obra, falta da mesma no interior, déficit de BOLSAS SOCIAIS e fragmentação da mesma em pequenos auxílios, falta de vaga na CRECHE e da mesma no interior…

São inúmeros os problemas enfrentados pelos professores e alunos na UFF, o que não difere das outras universidades do país, que também estão construindo essa GREVE NACIONAL.

Greve geral

Por que participar da GREVE?

Nesse momento de GREVE sempre nos preocupamos com os atrasos na nossa formação, ou aproveitamos que não temos aula para tirarmos umas férias. Mas queremos convidar vocês a olharem o outro lado da moeda, e a fazer com agente três reflexões sobre este período que estamos vivendo:

  1. Condições adversas pedem medidas radicais: as médias de expansão mascaradas pelo governo LULA e Dilma que ampliam o número de vagas nas universidades com menos que metade do recurso necessário, sucatearam absurdamente o ensino superior, impedindo proporcional aumento do corpo docente, espaço físico e assistência estudantil. Tentamos sempre, de várias formas institucionais e de mobilizações, lutar contra essa forma de expansão e os cortes orçamentários do governo que jogaram nossa formação o lixo. Após um longo processo de negociação e mobilização, em que somente uma parte (a nossa) cedeu, chegamos a patamares inaceitáveis de precarização universidades e das condições de estudo e trabalho nas mesmas. Diante dessa conjuntura, nos resta radicalizar, ou seja, nos resta uma GREVE GERAL para fazermos o governo recuar e dar mais atenção à educação pública.
  2. Essa Luta também é nossa: é necessário compreendermos que a GREVE dos professores não se limita a uma reivindicação própria da categoria. A pauta da Greve nos atinge diretamente. A luta por melhores condições de trabalho está atrelada as nossas bandeiras por melhores condições de estudos, como o aumento do numero de professores, efetivos e de dedicação exclusiva, ou seja, para termos mais pesquisa e extensão, mais professores para orientações e supervisão de estágio, diminuindo também o numero de professores por alunos e as salas superlotadas. Outra pauta que nos atinge diretamente é quanto a falta de estrutura física (mais salas de aula, salas adequadas, biblioteca, espaços para pesquisa, extensão e outras atividades extraclasses). Como estudantes devemos nos incorporar a esta greve colocando nossas reivindicações, como a defesa da Assistência Estudantil: bolsas, bandejão, creche, moradia… Portanto, defender a GREVE dos professores significa lutar pela qualidade dos nossos estudos, da nossa formação profissional, e pela valorização da educação no nosso país, pois a GREVE é Nacional.
  3. Não estamos de férias, GREVE forte é GREVE de TODOS!: é preciso deixarmos de lado nosso individualismo de pensarmos somente na nossa vida acadêmica, e compreender que a universidade pública é de todos, inclusive dos que estão fora da GREVE. Lutar por interesses coletivos garante que todos possam usufruir dos resultados deste processo de forma igual. Precisamos compreender que SEM LUTA NÃO HÁ VITÓRIA! Esperar passivamente que o governo reconheça que a educação do país é mais importante que a Copa do Mundo ou as Olimpíadas é esperar por migalhas, como se produzir algo de útil com o dinheiro dos nossos impostos fosse um favor! Para termos uma GREVE forte, com muitas conquistas precisamos juntar os alunos, os professores e os técnicos, além de uma GREVE Nacional de todas as Universidades pública. Portanto, participar ativamente desse processo é dever de quem quer conquistar sei direito de educação com qualidade. Afinal, atrasar um pequeno espaço de tempo por causa de uma greve é melhor que paralisar a formação por falta de professores ou estrutura, ou do que ter uma formação sem qualidade. Com isso reivindicamos uma greve ativa e não uma greve de pijama, ou seja, onde possamos ocupar e estar na universidade construindo unto aos professores diversas atividades como debates, oficinas, atos… onde possamos fomentar uma integração maior entre os cursos, entre a universidade e a população local e com os Movimentos Sociais.

VENHA VOCÊ TAMBÉM SER UM PROTAGONISTA DESSE PROCESSO E CONSTRUIR CONOSCO A UNIVERSIDADE QUE QUEREMOS!!!

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