FAQ: perguntas frequentes sobre a greve

Esta página foi preparada para a greve de 2012, mas todo o seu conteúdo continua valendo, mutatis mutandi, para a greve de 2015.

O que é e para que serve uma greve?
Fazer greve é legal (no sentido jurídico)?
Professores visitantes, substitutos ou em estágio probatório podem fazer greve?
Quando foi a última greve docente nas universidades federais?
Quando e como a greve atual começou?
Quais são os objetivos da greve atual?
Quem está fazendo greve?
Quem comanda a greve?
Quem apóia a greve?
A Reitoria e os Conselhos Superiores da UFF apóiam a greve?
Quando a greve vai acabar?
Quando o primeiro período letivo deste ano vai acabar?
Quando o segundo período letivo deste ano vai começar?
O que os professores podem fazer pela greve?
O que os funcionários podem fazer pela greve?
O que os alunos podem fazer pela greve?
Por que é incoerente professores e alunos furarem a greve?
O que significa a palavra “pelego”?
Que atividades têm validade legal durante a greve?
O que devo fazer se meu professor quiser continuar as aulas durante a greve?
Onde obter notícias e informações sobre a greve?
Como participar de forma ativa da greve?
Se as reivindicações da greve forem atendidas, a internet do PURO vai melhorar?

O que é e para que serve uma greve?

A greve é um direito conquistado pelos trabalhadores na modernidade (contexto histórico pós revoluções burguesas). Antes de se tornar um direito, a greve era aberta e fortemente reprimida pelas forças policiais.

É um recurso utilizado pelos trabalhadores organizados que implica na suspensão de todas as atividades envolvidas em determinado trabalho; no caso da greve das IFES (Instituições Federais de Ensino Superior), a suspensão de todas as atividades acadêmicas.

É um recurso que serve para dar visibilidade pública às situações de abuso e desrespeito às condições de trabalho. É uma estratégia de luta e de pressão sobre os sujeitos políticos (empregadores, instituições e governos) para que tomem providências em face das situações que violam direitos de cidadania e conquistas dos trabalhadores.

A atual greve nacional dos docentes das Universidades Federais (em muitas, a greve também é de discentes e, no caso da UFF, dos três segmentos: docentes, discentes e técnico-administrativos) serve para chamar atenção da comunidade acadêmica, da sociedade e de autoridades políticas sobre o sucateamento das condições de trabalho e de ensino das Instituições Federais de Ensino Superior.

É uma forma legítima de exigir providências quanto à melhoria das condições de trabalho e de ensino e recusar o caráter elitista e mercantil da atual Política Pública de Ensino Superior.

A greve também serve para que aprofundemos nosso conhecimento sobre determinados aspectos da realidade que, pela rotina do cotidiano, deixamos de observar de forma crítica, responsável e comprometida.

A greve serve para aprofundar os laços de solidariedade entre os segmentos que lutam por uma mesma causa.

A greve dos docentes, discentes e dos técnico-administrativos da UFF (e de outras IFES) serve para fortalecer a luta por um Ensino Público de qualidade, gratuito e socialmente referenciado.

Curiosidade: Fora do universo de luta dos trabalhadores, uma das greves mais famosas é a Greve do Sexo, retratada na comédia grega de Aristófanes; vale a pena ler: Lisístrata – A Greve do SEXO, Coleção L&PM Pocket.

Fazer greve é legal (no sentido jurídico)?

Sim, o direito de greve é assegurado a todos os trabalhadores pela Lei Nº 7.783, de 28 de junho de 1989, que você pode ler na íntegra em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L7783.htm.

Entre outros, estão assegurados os seguintes direitos aos trabalhadores:

  • o emprego de meios pacíficos tendentes a persuadir ou aliciar os trabalhadores a aderirem à greve;
  • a arrecadação de fundos e a livre divulgação do movimento.

Professores visitantes, substitutos ou em estágio probatório podem fazer greve?

Sim. Em resposta a uma consulta feita pelo Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES), a Assessoria Jurídica Nacional emitiu, em maio deste ano, uma análise detalhada, que você pode ler na íntegra em http://www.aduff.org.br/juridico/20120515_direito_greve.pdf.

Se você souber de algum professor visitante, substituto ou em estágio probatório que esteja sendo ameaçado com punições por aderir a esta greve, denuncie ao comando local de greve no URL https://grevepurouff.wordpress.com/; tais ameaças constituem assédio moral e desrespeito aos direitos do professor.

Quando foi a última greve docente nas universidades federais?

Em 2012. Os posts do Comando Local de Greve do PURO/UFF relativos à greve de 2012 podem ser lidos aqui.

Em http://www.sedufsm.org.br/index.php?secao=greve#1980, você encontra um registro de todas as greves docentes nas universidades federais de 1980 a 2012, contendo datas, durações, número de universidades participantes, listas de reivindicações e resultados.

Em 28 anos, foram 18 greves.

A greve de 2012 foi a que obteve a participação do maior número de universidades federais.

Quando e como a greve atual começou?

[Esta resposta se refere à greve de 2012. Aguardem atualização.]

Ao contrário do que afirma o atual Ministro da Educação, Aloízio Mercadante, a greve dos professores das Universidades Federais não foi precipitada. Há vários anos o movimento organizado dos professores vem questionando o modelo de política educacional assumida pelo governo federal.

Desde 2007, com a implantação do REUNI, a comunidade acadêmica tem questionado o significado e a direção política desse modelo de expansão, considerado pelas entidades representativas de professores e alunos um modelo falacioso que, em nome da democratização do acesso, gera, na verdade, sobretrabalho, precarização e sucateamento das condições de trabalho e, por consequência, do ensino, da pesquisa e da extensão, portanto, sucateamento da formação.

Após dois anos de negociação com representantes do Ministério do Planejamento, em agosto de 2011, o governo federal propôs um acordo emergencial que, até o início da greve, ainda não tinha sido cumprido. Em 10 maio de 2012, em Assembleia Geral, os docentes aprovaram um indicativo de greve. Em 17 de maio, em Assembleia Geral, os docentes aprovaram a greve. Na UFF, a Assembleia Docente de 17 de maio aprovou o início da greve para 22 de maio de 2012, por tempo indeterminado.

Assim, a greve dos professores foi aprovada e deflagrada no espaço legítimo de organização e deliberação, ou seja, na sua Assembleia Geral e após muitas tentativas de negociação.

Quais são os objetivos da greve atual?

[Esta resposta se refere à greve de 2012. Aguardem atualização.]

Confira abaixo um resumo da pauta de greve dos docentes das IFES, disponível em http://www.aduff.org.br/manchetes/20120520_greve.htm:

A pauta da greve, definida com base na Campanha 2012 dos professores federais, aprovada no 31º Congresso do ANDES-SN e já protocolada junto ao governo desde fevereiro, tem dois pontos: a) reestruturação da carreira docente, prevista no Acordo 04/2011, descumprido pelo governo federal, com valorização do piso e incorporação das gratificações; b) valorização e melhoria das condições de trabalho docente nas Ifes.

A categoria pleiteia carreira única com incorporação das gratificações em 13 níveis remuneratórios, variação de 5% entre níveis a partir do piso para regime de 20 horas correspondente ao salário mínimo do DIEESE (atualmente calculado em R$ 2.329,35), e percentuais de acréscimo relativos à titulação e ao regime de trabalho. Atualmente, o piso é de R$ 557,51 e a malha remuneratória atual não obedece a uma sequência lógica. O governo tem se mostrado intransigente nas negociações sobre a carreira, e chega ao final do processo de negociação sem sinalizar o atendimento às nossas demandas.

Os professores também reivindicam melhoria das condições de trabalho dos docentes e servidores técnico-administrativos, assim como das condições de estudo nas Universidades e Institutos Federais. Vivemos um processo de expansão das Universidades federais que levou à precarização das condições de trabalho, com salas lotadas, excesso de disciplinas e de orientações na graduação e na pós-graduação, ausência de laboratórios e estrutura para pesquisa e extensão, e de uma política efetiva de assistência estudantil. Problemas que, evidentemente, afetam não apenas os docentes, mas também os servidores técnico-administrativos e os estudantes.

Leia também textos que analisam a greve, disponíveis no Blog do Comando Local de Greve do Puro, em https://grevepurouff.wordpress.com/.

Quem está fazendo greve?

Professores e funcionários de Universidades Federais de todo o país.

Em muitas IFES os alunos também entraram em greve em apoio aos professores.

Na UFF, os três segmentos estão em greve: docentes, discentes e técnico-administrativos.

Quem comanda a greve?

Depois que uma greve é deflagrada no espaço deliberativo e democrático da Assembleia Geral de determinado segmento, institui-se um Comando de Greve e um Comitê de Ética. Cada seção sindical tem um comando local de greve e um comitê de ética para construir a greve e acompanhar as negociações.

As composições do Comando de Greve e do Comitê de Ética são aprovadas em Assembleia.

O Comando de Greve funciona como uma espécie de grupo de trabalho que tem por objetivo dar organicidade às atividades relativas ao movimento e concretizar propostas e estratégias de ação deliberadas em Assembleia Geral.

O Comitê de Ética analisa e emite parecer sobre situações particulares que se apresentam durante a greve e cujas respostas podem gerar conflitos éticos e políticos com a direção geral do movimento. Por exemplo, a realização de um concurso para docente que estava agendado antes do início da greve pode suscitar dúvidas sobre sua legalidade. Cabe ao Comitê analisar e se posicionar sobre a pertinência de sua realização e sobre sua legalidade em face da situação de greve.

Quem apóia a greve?

No caso da UFF, estamos numa situação de greve unificada: docentes, discentes e técnico-administrativos.

No blog do Comando Local de Greve, em https://grevepurouff.wordpress.com/, você pode encontrar manifestações de apoio de entidades profissionais, alunos de pós-graduação e outras entidades de trabalhadores.

A Reitoria e os Conselhos Superiores da UFF apóiam a greve?

[Esta resposta se refere à greve de 2012. Aguardem atualização.]

Sim. Na reunião de 30/05/2012, o CUV (Conselho Universitário) da UFF reconheceu a legitimidade de greve e suspendeu o calendário acadêmico da UFF.

Confira abaixo a reprodução integral da proposição aprovada no conselho, disponível em http://www.aduff.org.br/manchetes/20120603_suspensao_calendario.htm:

Os membros do Conselho Universitário da Universidade Federal Fluminense, reunidos ordinariamente em 30 de maio de 2012, manifestaram seu apoio à greve dos três segmentos – docentes, técnico-administrativos e estudantes – por reconhecerem a legitimidade das três entidades representativas dos três segmentos e suas pautas de reivindicações.

Como conseqüência aprova:

  • o reconhecimento das instâncias deliberativas dos três segmentos;
  • a indicação de suspensão do calendário acadêmico-escolar;
  • a garantia de que não haverá nenhuma retaliação ao movimento grevista;
  • a garantia da criação de uma comissão de ética paritária, ao termino da greve, que avaliará possíveis casos de assédio moral a docentes, técnico-administrativos e estudantes decorrentes da greve;
  • a garantia de liberdade de construção da greve no interior da universidade.

O CEP (Conselho de Ensino e Pesquisa), em reunião ordinária do dia 06/06/2012, aprovou um encaminhamento bastante problemático e dúbio. Ao mesmo tempo em que os Conselheiros reconhecem a legalidade e legitimidade da greve e acatam a indicação do CUV de suspender o calendário acadêmico, abrem a possibilidade para atividades realizadas durante a greve serem reconhecidas, prevendo as situações de alunos formandos e estrangeiros, conforme nota publicada no UFF Notícias (http://www.noticias.uff.br/noticias/2012/06/uff-suspende-calendario-academico.php).

Esse encaminhamento foi contestado pelo movimento grevista presente na reunião do CEP, já que expressa uma posição ambígua e que contraria a indicação do CUV – Conselho Superior – que havia se comprometido com “o reconhecimento das instâncias deliberativas dos três segmentos” e com “a garantia de liberdade de construção da greve no interior da universidade”. Os Conselheiros do CEP usaram “dois pesos e duas medidas”, criando uma situação que pode constranger especialmente aos alunos, pois não deixa claro qual é a responsabilidade dos professores que furam a greve quanto à reposição das atividades acadêmicas para os alunos que, por direito legítimo, aderiram à greve.

Leia abaixo a nota oficial da decisão do CEP:

UFF suspende calendário acadêmico

11/6/2012

O Conselho de Ensino e Pesquisa (CEP) decidiu acolher a decisão do Conselho Universitário (CUV) e suspender o calendário acadêmico a partir do dia 11 de junho de 2012.

As atividades de aula que estiverem sendo ministradas por professores que não interromperam suas atividades serão reconhecidas, com lançamento de notas no período de reposição, garantido o direito dos formandos e estudantes estrangeiros em intercâmbio acadêmico.

Quanto aos estudantes que tiverem aderido à greve, caberá à UFF a reposição de aulas e avaliações.

Após o final da greve, os professores qu e tiverem interrompido suas atividades acadêmicas reporão suas aulas conforme calendário a ser definido pelo CEP.

Quando a greve vai acabar?

A greve é por tempo indeterminado. Ninguém sabe quando ela vai acabar.

Mas a sua participação ativa em apoio a esta greve pode acelerar o seu desfecho, com o atendimento das nossas reivindicações.

Quando o primeiro período letivo deste ano vai acabar?

Ninguém sabe.

Após o fim da greve, a UFF definirá um novo calendário para este período, prevendo a reposição das aulas.

Quando o segundo período letivo deste ano vai começar?

Ninguém sabe.

Após o fim da greve, a UFF definirá um novo calendário para o próximo período.

O que os professores podem fazer pela greve?

Pensar:

  • Estou satisfeito com minhas condições de trabalho?
  • O que tenho feito para mudar isso?
  • Que projeto de universidade defendo?
  • Qual o significado da docência em uma Universidade Pública?
  • Qual a importância da luta coletiva da comunidade acadêmica para o fortalecimento da autonomia universitária?
  • Como posso defender princípios como a democracia, a justiça social, a equidade e a educação como direito de cidadania?
  • Como posso ensinar tais princípios aos meus alunos?
  • Minha posição diante da greve é coerente com tais princípios?
  • Posso me considerar um professor responsável e comprometido com a Universidade Pública quando a maioria dos meus colegas estão construindo uma luta coletiva em defesa do ensino público de qualidade e eu ignoro esse movimento e continuo realizando meu trabalho como se nada estivesse acontecendo?
  • O que estou ensinando aos meus alunos quando me coloco acima e indiferente às decisões coletivas de meus colegas?

Agir:

  • Participar, apoiar e propor atividades de greve que contribuam para a reflexão crítica sobre a importância da luta unificada para melhoria das condições de trabalho e ensino.
  • Estudar e contribuir com a construção de conhecimentos críticos sobre o atual modelo do Ensino Público Superior e os rebatimentos desse modelo sobre a formação e sobre a realidade social.

Ensinar:

  • Ser coerente com o exercíco da docência, exercitando a crítica, o debate democrático e a participação cidadã.
  • Contribuir com a construção de estratégias solidárias, comprometidas com o ensino público de qualidade e com a vivência universitária.
  • Estimular os sonhos, a rebeldia e a energia da juventude, pois sem eles a história, a razão e a ciência e stariam estagnados.

O que os funcionários podem fazer pela greve?

Pensar:

  • Estou contente com minhas condições de trabalho?
  • O que tenho feito para mudar isso?
  • Que projeto de universidade defendo?

Agir:

  • Participar, apoiar e propor atividades de greve que contribuam para a reflexão crítica sobre a importância da luta unificada para melhoria das condições de trabalho.

O que os alunos podem fazer pela greve?

Pensar:

  • O que significa estudar numa Universidade Pública?
  • Conheço o projeto de Universidade proposto pelo Governo Federal que vem sendo criticado pelas entidades docentes e discentes?
  • A Universidade que temos é a que queremos?
  • O que tenho feito para mudar isso?
  • Por que meus colegas estão apoiando a greve dos docentes?
  • Como a melhoria das condições de trabalho e de ensino podem contribuir com minha formação e com a valorização do meu diploma?
  • Tenho alguma responsabilidade social pelo financiamento público dos meus estudos?
  • Posso contribuir para que o Polo de Rio das Ostras tenha excelência acadêmica?
  • Tenho uma vivência universitária ou minha formação tem se restringido ao espaço da sala de aula?
  • Estou usufruindo do conhecimento produzido por outras áreas do conhecimento existentes na minha universidade?
  • Conheço o que fazem e pensam meus colegas estudantes de outros cursos ou me contento com informações estereotipadas e pré-concebidas sobre eles?

Agir:

  • Participar, apoiar e propor atividades de greve que contribuam para ampliar a vivência universitária, para fortalecer a luta unificada em defesa da qualidade do Ensino Público.
  • Exercitar a convivência democrática se dispondo a ouvir, a debater, a aprender e a ensinar em face do diferente, do inédito, do novo, da mudança.

Por que é incoerente professores e alunos furarem a greve?

Na maioria das vezes os que não aderem à greve justificam tal postura afirmando que não participaram de tal decisão, que não se sentem representados pelas entidades, não se submetem a decisões coletivas porque as consideram autoritárias, defendendo o direito individual de não acatar decisões coletivas.

No entanto, diante de tais justificativas podemos questionar: se efetivamente não é uma maioria que defende a greve, onde estavam quando tal decisão foi tomada? Por que os que são contra a greve nunca participam dos espaços legítimos e democráticos nos quais tal decisão é referendada?

O que é mais autoritário: acatar uma decisão democraticamente tomada num espaço deliberativo ou ignorar tal decisão e tentar impor um padrão de normalidade quando a realidade concreta desmente tal normalidade?

Furar a greve em nome de um direito individual abstrato é coerente com a aceitação passiva dos ganhos coletivos decorrentes da greve ou é uma atitude individualista e acomodada daqueles que esperam que os ganhos venham pelo esforço dos outros?

É justo, trata-se de um direito continuar realizando atividades acadêmicas num período em que o calendário acadêmico foi suspenso?

É justo, é um direito continuar realizando atividades acadêmicas enquanto colegas estão sacrificando suas férias, seus prazos para finalização do curso e depois, quando o calendário for retomado, ficar em casa esperando os ganhos de uma luta da qual não participei?

É justo, é um direito escamotear a realidade de sucateamento das condições de trabalho e de ensino e usufruir de privilégios que jamais se constituirão em direitos para todos?

É justo, é um direito usufruir do status de ser um professor ou um aluno de uma Universidade Pública quando na verdade meus interesses, minha energia e meu compromisso estão voltados para consultorias, projetos, financiamentos advindos de parcerias com a iniciativa privada e que trarão apenas retorno financeiro individual, gerando distorções, privilégios e guetos no interior de um espaço financiado pela sociedade?

Não, furar a greve não é um direito, é uma postura individualista, desrespeitosa e descompromissada com a luta coletiva em defesa do ensino público de qualidade.

O que significa a palavra “pelego”?

Pelego é uma espécie de manta de lã utilizada entre o corpo do animal (cavalo, burro etc.) e a sela, para amenizar os impactos produzidos pelo peso e desconforto da montaria.

A palavra foi adotada no interior do movimento sindical (e dos movimentos sociais) para indicar a postura e o comportamento de pessoas/lideranças que fazem manobras, alianças, acordos espúrios com os sujeitos políticos que estão no poder, contrariando os interesses coletivos do próprio movimento.

Ou seja, o termo é utilizado para caracterizar um modo de comportamento oportunista que contraria interesses coletivos em favor de vantagens e benefícios pessoais.

Que atividades têm validade legal durante a greve?

[Esta resposta se refere à greve de 2012. Aguardem atualização.]

Como o calendário acadêmico foi suspenso na última reunião do CUV, de 30/05/2012, nenhuma atividade acadêmica (aulas, provas, seminários, monitorias, orientações de TCC, pesquisa, etc.) tem validade. Todas serão submetidas a um novo calendário quando a greve for encerrada.

Situações particulares, quando submetidas, avaliadas e aprovadas pelo Comitê de Ética das seções sindicais, também têm validade.

O que devo fazer se meu professor quiser continuar as aulas durante a greve?

No caso da UFF, não são só os professores que estão em greve, mas também os alunos e técnico-administrativos.

Como aluno, você tem o direito de fazer greve e se envolver em outras atividades.Como aluno, você pode procurar saber se o seu professor está sendo coagido a dar aulas e, se essa situação se configurar, fazer a denúncia ao Comando Local de Greve, em https://grevepurouff.wordpress.com/.

Como aluno, você pode declarar sua adesão à greve e exigir que o seu professor cumpra o calendário de atividades acadêmicas que terá validade após o final da greve.

Como aluno, você tem seus direitos assegurados para frequentar as aulas, realizar avaliações e outras atividades no calendário que terá validade após o final da greve.

[O seguinte parágrafo se refere à greve de 2012. Aguardem atualização.]

No caso da UFF, nenhuma atividade acadêmica realizada durante a greve será reconhecida, pois o CUV reconheceu a greve e suspendeu o calendário acadêmico em sua reunião do dia 30/05/2012.

Onde obter notícias e informações sobre a greve?

Nas reuniões e atividades de greve que estão sendo realizadas no Polo. Tais atividades são planejadas e divulgadas pelo Comando Local de Greve em https://grevepurouff.wordpress.com/.

Como participar de forma ativa da greve?

Conhecendo a atual política do Governo Federal para a Educação Superior e problematizando-a em face das condições objetivas que você encontra para realizar seus estudos, pesquisa e extensão no Polo da UFF de Rio das Ostras.

Participando das atividades de greve que são realizadas no Polo.

Participando das atividades unificadas das Instituições Federais de Ensino Superior.

Conversando com seus amigos do trabalho, do estágio e com seus familiares sobre as condições de precarização do Ensino Público Superior na atualidade e sobre os motivos que levaram professores, alunos e técnicos-administrativos a entrar em greve.

Conversando com seus colegas sobre a importância de fortalecer a luta coletiva unificada em defesa da qualidade do Ensino Público.

Sendo solidário com seus colegas que não se sentem à vontade para expor abertamente suas ideias, críticas e opiniões nos espaços deliberativos da Universidade.

Sendo solidário com seus colegas estudantes e com seus professores que estão diretamente envolvidos nas atividades de greve e na luta coletiva em defesa da excelência acadêmica da Universidade onde você estuda.

Se as reivindicações da greve forem atendidas, a internet do PURO vai melhorar?

A falta de professores, a falta de espaço físico e a péssima qualidade do acesso à internet são os problemas mais óbvios e urgentes do PURO, e que mais afetam os professores, alunos e funcionários na sua rotina diária.

O PURO foi criado em 2004 (há quase 10 anos!), e nunca teve acesso à internet com velocidade considerada minimamente razoável para uma universidade.

A melhoria das condições de trabalho é uma das reivindicações desta greve.

Se a internet do PURO não melhorar após o final da greve, o que você (professor, aluno, funcionário) acha que deve fazer: ficar calado ou continuar reivindicando uma universidade melhor?

Participe ativamente da greve e lute pelos seus direitos. Se ninguém reclamar, tudo vai continuar como está (inclusive a internet).

10 respostas para FAQ: perguntas frequentes sobre a greve

  1. Laila disse:

    Pq não deixam os alunos que estão no último período se formarem? Com a crise que o país está entrando e com o desemprego aumentando, acho que essa greve é uma injustiça para com os alunos que também deveriamser respeitados e que tem contas para pagar e estão tentando ser efetivados mas não conseguem pq a greve não deixa eles obterem o diploma. Já estamos na metade do periodo, ou seja, era pra quem está se formando já iniciar o emprego com carteira assinada. Não digo que não deva pedir ajustes e outras coisas que vocês querem na greve de vocês. Mas o salário de vocês com certeza estão entrando mensalmente na conta de vocês. Já pensaram em pensar nos alunos que não ganham salários do governo e que precisam entrar num mercado de trabalho que já não ta uma maravilha? Só pq vcs tem o de vcs garantido pro resto da vida, não significa que quem ta querendo se formar tem!

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  2. josimara disse:

    Boa tarde. Tenho uma duvida, durante o período da greve, professores que não aderiram a greve podem deixar os alunos com falta?

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  3. Sérgio Rodrigues disse:

    Professores e Servidores Públicos em geral.Pena que o “cancro” da estabilidade lhes garanta tanta mediocridade.Os senhores querem aumento para exercer esse descompromisso total que lhe é peculiar.Não tem coragem e muito menos a dignidade de chegar para a sociedade, que é seu cliente e patrão, e falar de peito aberto:-” Nós estamos em greve poque queremos aumento”.Vão criar vergonha e respeite o contribuinte.

    Curtido por 2 pessoas

    • Edson A Nascimento disse:

      Pobre Sério Rodrigues (sei que este não é o seu nome). Sua visão reduzida do processo de greve tem uma única serventia: colaborar para o desmonte da educação pública brasileira. Pobre de você e do país que está pagando pela sua formação (gratuita e de qualidade, diga-se de passagem).

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  4. Quando o professor esta de greve suas aulas podem ter substitutos???minha professora falou que não, e que isso é lei, mais minha diretora falou tudo ao contrario, quem esta certa????

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  5. Kamile Siqueira Gevú disse:

    Parabéns, excelente texto. Bastante esclarecedor e realístico.

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  6. Paola disse:

    Parabéns pelo texto! Nao tinha visto nada deste tipo nesta greve! E pensar q saiu dai aquele cara q vem desgraçando a nossa greve na mídia…

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  7. Percio Braz disse:

    Juntos somos mais fortes e iremos mais longe…
    alvissaras!

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  8. Marcio magini disse:

    Excelente site, parabéns a todos!

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